Vilhelm HammershoiMas acha que há assim tanta diferença entre fingir e falar a sério? [Arthur Schnitzler, A Cacatua Verde]
Domingo, 31 de Maio de 2009
Pacheco Pereira e o retrocesso civilizacional
Vilhelm HammershoiSábado, 30 de Maio de 2009
Falta-me o pai das cadelas
Psicopatologiazinha
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Essa forma de existência tão anormal
As rolas
Sábado, 23 de Maio de 2009
País das Maravilhas
Fotograma de O Anticristo, de Lars Von Triers.Nota: agradeço muito que os leitores me lembrem e façam chegar exemplos de manifestações artísticas que se encontrem relacionas com a ideia que exponho neste texto, ou seja, a procriação aleatória interespécies. Interessam-me imagens (foto, pintura, escultura), textos (narrativa, poesia, texto dramático), inclusive para público infantil. Interessa-me qualquer manifestação artística ou ensaística que exponha um mundo no qual humanos e não humanos vivessem em igualdade. Por favor, enviem-me essas referências para o e-mail.
Espelho
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Gigantesca figura
Dr. House e Companhia
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
República do Padrinho
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Enorme pouco
Foto: Gregory ColbertDomingo, 17 de Maio de 2009
Dinamitar o Cristo Rei?
Foto de juhanie
Nota importante:
já agora, senhores vereadores da Câmara Municipal de Almada, do que nós também precisamos muito é de espaço ajardinado para onde possamos levar os nossos cães, porque a bicharada precisa de correr. O Parque da Paz é lindo, gostamos todos muito, sem ironia, mas andar com os cães atrelados, e não poder levá-los para a relva por causa das crianças, é muito chato, sobretudo quando os cães até são os companheiros das crianças.
Precisamos dum jardim como o Central Park, para onde possamos ir livremente piquenicar com o nossos animais, ler, correr, jogar, deitar-nos ao Sol e à sombra. Um lugar dog friendly, logo, um lugar civilizado.
Outro recado, já que estou com a mão na massa: lembro que a Festa do Avante era dog friendly e deixou de ser. Na última edição não pude entrar com as minhas cadelas e voltei para trás. Pedi devolução do bilhete, e não voltarei à Festa enquanto não as puder levar comigo.
Ter proibido as pessoas de entrar com cães na Festa foi um enorme retrocesso relativamente ao que era a essência do Avante.
Cabrão velho
Era um cão de caça, baixo, quase roçava o chão, de pêlo curto, branco sujo misturado com amarelo, cinzento, castanho, preto, óleo dos carros, bosta de ovelha. Tinha as orelhas rasgadas e cicatrizes no focinho. Quando se enrolava na cama que lhe arranjei, parecia uma esfregona velha que já ninguém se atreveria a usar.
A primeira vez que dormiu dentro de uma casa, e sobre superficie almofadada, foi no dia em que fui viver para o sotão da minha senhoria. Entrou-me lá dentro a abanar o rabo, com os olhos muito molhados, muito vivos, pretos, eu olhei para aquela bota velha com mau hálito, e apaixonei-me por ela. Enquanto lá estive o Putchi gozou vida de lorde. Só descia para vadiar. Raramente ia à caça. Nunca mais viu coleira nem trela e posso dizer, com alguma certeza, que foi feliz.
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Rua negra
Nas Caldas da Rainha, em 1975, para ir para a escola atravessava uma rua negra, com alcatrão levantado nas bordas, sem passeio: um túnel de edíficios muito sujos pelo tempo, dos dois lados da via. Era uma rua cinzenta-escura do princípio ao fim. À hora a que ali passava havia ainda muito nevoeiro ou fumo ou frio opaco. A atmosfera era espessa, e eu atravessava-a como uma faca. Cruzava-me com trabalhadores apressados, vergados pela hora matinal, pelo sono, pelo cansaço, pela pressa. Caminhavam muito rápido e de passo miúdo, com os olhos postos no chão, usando casacos e bonés de fazenda axadrezada, cinzenta, preta ou castanha e fatos de trabalho escuros. Nunca lhes via a cara.
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Desgosto cru
Ser filha do meu pai foi o meu maior bem e contentamento e simultaneamente um desgosto cru, manchado de dor e vergonha. Como pôde existir tanta negação e tanta raiva pelos meandros do amor mais pungente que lhe dedicava? Como podia traí-lo tanto?! Foi com este misto de sentimentos que tive de aprender a viver, e a resolver-me e a posicionar-me na vida. Será esta ambivalência algo assim tão impossível de compreender?! Não faz ela parte de incontáveis episódios da história da humanidade e da literatura? Sou a única com telhados de vidro? Sinceramente, creio que não. Há muito quem por aí tenha sentimentos semelhantes.
O passado colonial está arrumado de forma muito transparente na minha memória ou não poderia escrever sobre nada disso. Talvez um certo meio politica e socialmente correcto preferisse que registasse tais memórias com mais paninhos quentes, explicações, justificações. Se calhar deveria excluir-me do processo e dizer, ah, isso foram os outros, eu cá não. Não é possível. O que tenho a dizer é totalmente sem paninhos quentes. Portanto, o que me ocorre sobre o passado colonial limita-se à narração ou descrição fria, e o mais isenta possível do que vivi. Na minha consciência não preciso de atenuantes. Na minha consciência, e estou farta de dizer isto, preocupa-me, apenas, proteger o amor pelo meu pai, e é isso que é difícil e me remete constantemente para o fio da navalha. Não tenho nenhuma outra forma de o fazer a não ser declarando que, apesar de tudo, o amava, o continuo a amar. Sou fracota nisto do amor.