Pedi-lhe sem voz, sem palavras, que me penetrasse com ele todo duro, inteiro, e me rasgasse a boca com a sua faca de prazer e dor para que eu pudesse parir-me.
Havia uma criança aninhada nas minhas vísceras e ninguém sabia, nem eu, durante décadas. Algo a que faltava o ar e o alimento, que se revolvia procurando fendas, cortes por onde escapar, gritava lá dentro, e eu escutava, sentia, comia e respirava fundo para alimentar essa gritaria que me esmurrava o estômago.
E ele, que nem falava a minha língua, portanto não podia realmente entender bem o que lhe pedia, exclamou, mim foder mulher portuguesa, e veio-se com violência, rasgando-me as bordas da boca, alargando-me para o parto.
Cortou-me, assim. A cama ficou cheia de sangue.
Quando a criança saiu de dentro de mim, abri as pernas e, sem esforço, a menina deslizou, linda, líquida, velha-nova, e chorou quando sentiu o ar e a luz que a cegavam. Debrucei-me sobre ela, ainda de pernas abertas, recolhi-a, apertei-a contra o peito, que já nem mama lhe podia dar, e beijei a minha menina de olhos amarelos. Esse beijo acalmou-a e parou de chorar.
Quando pari a menina já não quis engravidar de novo. Agora eu já não era gorda.