domingo, 30 de junho de 2013

O tipo do facebook





Lembrei-me deste episódio relacionado com as caras do passado que nos aparecem no facebook. 

Há uns tempos apareceu-me a de um tipo obscuro, ex-colaborador do DN Jovem como eu. Ao tempo era um fulano estranho, calado, de poucos amigos. Lembro-me de um indivíduo triste, sombrio, aureolado pelo mistério dos que não se pronunciam. Com o meu espontâneo otimismo, pedi-lhe amizade, mas o indivíduo não respondeu e esqueci o assunto. Passado um mês, recebo uma mensagem da pessoa em questão com um discurso semelhante a isto: "Recebi o teu pedido de amizade, és interessante e não tenho nada contra encontros, mas aviso que vivo com outro homem e não pretendo confusões. Podemos encontrar-nos, mas não pode ser em minha casa e não quero que ele saiba. De resto estou ao teu dispor."
Claramente, o tipo-obscuro não me reconheceu dos velhos tempos, e eu, que nunca fizera a menor ideia que tanta pacatez se devesse à homo-bi-polissexualidade fiquei a saber, em três linhas, o que não me interessava.
Respondi-lhe, explicando quem era, com referências muito precisas, e desde essa data nunca mais soube dele.

Sorvete sem tempo, em Joanesburgo

 Imagem: Mark Malm, 2011


À noite regresso aos lugares onde vivi.
Tempo e espaço, realidade e ficção confundem-se.
Onde comecei?
Que idade tenho?
Arredores de Joanesburgo. Estou com o meu tio materno mais velho, mulher e filha num parque de diversões tão perfeito como a ilustração de um livro da Anita. Não sei porque não estou com os meus pais. Nunca me lembro de ter ido sem eles à África do Sul. 
É final de tarde. A hora mágica. No céu, um resto de sol que se põe. 
O parque está repleto. Famílias, muitas crianças, todos felizes. Relva, muitas árvores, flores e regatos. Algumas casas espalhadas pelo parque são visitadas como pavilhões temáticos. Não sei o que existe lá dentro. Tenho ideia de que sejam em madeira, mas não sei se estou a confundi-las com as de Skansen, em Estocolmo, que visitei depois dos 40 anos. São casas para se ver, mas não estão à venda.  Há carrosséis, homens de farda que vendem algodão doce e sorvetes. Não sei se são brancos ou pretos, embora pela lógica não devam ser brancos. Não vejo a sua raça, mas a função. Também não tenho a certeza sobre a existência de algodão doce, se calhar a memória fabricou-o. Sorvetes, sim. No meu inglês, porque já o sei falar, embora seja muito menina, pedi um de baunilha e chocolate com topping de morango,. Vejo muito bem os fios de molho de morango sobre o topo de cone. Que sorvete maravilhoso. Acho que nunca comi um igual na vida. É o melhor sorvete do universo. Conforme o vou lambendo, cai a bola inteira sobre o meu vestido branco. Sinto a frustração de perder o meu sorvete, de sujar o vestido, de me manchar no meio de toda a beleza. Agora já não posso ir visitar mais pavilhões, porque estou suja. Não posso correr, como as outras meninas, porque me sujei. Já não posso brincar. Para mim, tudo acabou.
Não sei se isto aconteceu. Não sei se algum parque destes existiu nos arredores de Joanesburgo.

sábado, 29 de junho de 2013

"De nenhum fruto queiras só metade"

 Imagem: Francine Van Hove

O que é o amor? Não é bem isso: como é o amor?  Uma emoção que se sente de fugida, clandestina, inconfessável ou um verão de carinhos tão livres quanto passíveis de testemunho?
Como amam as pessoas que se amam? Porque vieram uns para o amor e outros para a noite? Quem escolheu? Pensei que aos cinquenta já seria velha, mas continuo ignorante como uma árvore levemente marcada no tronco.Se já tivesse oitenta anos teria uma resposta, talvez. Se tivesse hoje oitenta poderia olhar para trás e fazer as minha aritmética. Isto valeu a pena. Aquilo não. Se somar isto com aquilo posso afirmar que. Se pensar no todo, fui ou não? Não sei. Não tenho oitenta anos.

Nota: O título é um verso de  Sísifo, de Miguel Torga.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

"Ao menos tens trabalho."


Entre 1981 e 1984 as greves gerais sucediam-se e estendiam-se por períodos longos. Eram greves a sério. Não havia transportes nem água nem luz. Nessa altura morava no Feijó, em casa da minha querida prima D., e estudava no ISLA, na rua das Praças, à Lapa. Nos dias em que a greve coincidia com exames marcados, iamos a pé para Cacilhas, às cinco da manhã, com a esperança de que saísse algum barco, e normalmente havia sempre um que atravessava o Tejo, a hora incerta e tão carregado, que a foz subía-nos até às janelas.
Seguíamos depois a pé do Terreiro do Paço ou do Cais do Sodré até à Lapa, e no regresso era o mesmo: sentávamo-nos no velho cais, esperando que um comandante resolvesse sair, e corríamos para apanhar o primeiro barco que se anunciasse.
Devo dizer que achava isto uma aventura e nos divertíamos imenso. Éramos quatro do ISLA, desta banda: a Virgínia, a Anabela e a outra cujo nome não me lembro. Andávamos a pé, falávamos de namorados e nomes que havíamos de dar aos filhos futuros e ríamos. Tínhamos 19 anos. 
Lembro-me de estudar Cálculo e Direito na sala, suando, e, precisando de banho, perguntar à prima se já tinham ligado a água. Ainda não, que ia telefonar para o depósito a saber quando retomavam o turno. Ligavam a água um bocado à hora do jantar, e tínhamos de aproveitar e tomar banho todos de seguida, armazenando a de que precisávamos para o jantar. O mesmo com a eletricidade. Era despachar a fazer o jantar e a comê-lo. O primo B. fazia piadas com a ideia de enchermos a banheira e durante dois dias tomarmos todos banho na mesma água.
Vivíamos as greves sem nos passar pela cabeça questioná-las. A greve era uma chatice que todos tinham de suportar em nome de um bem maior. Nunca me ocorreu questionar o direito dos motoristas de autocarro a fazê-la nem o dos controladores aéreos e pessoal de terra e ar dos aeroportos. Parto do princípio que quem faz uma greve se encontra privado de um direito e que luta por ele. Parto do princípio que as lutas de qualquer classe profissional são uma vitória pessoal indireta, porque a justiça laboral assim criada irá influenciar de forma geral toda a sociedade enquanto tendência. As lutas dos outros são também minhas. E é aqui que está o busílis da questão, hoje. Surgiu um individualismo que não reconheço. Vivemos com pessoas que não são capazes de pensar para além do seu interesse pessoal e imediato. Não somos uma comunidade. Estamos sós.
Durante o Cavaquistão e seguintes foi-se esquecendo a ideia de que a greve era o legítimo direito de classes laborais. Esqueceu-se que uma greve se faz com o objetivo de provocar danos que pressionem o poder. Obliterou-se quase tudo o que antes se aprendeu sobre solidariedade, democracia e direitos do cidadão e do trabalhador. De manhã, escutei uma passante dizer ao telemóvel um dos enunciados que mais me irrita nos últimos tempos: "ao menos tens emprego!" Imagino que o interlocutor lhe fizesse queixas, eventualmente legítimas, e à passante sai-lhe um "ao menos tem emprego", ou seja, aguenta, mesmo que ganhes pouco e o patrão te trate mal. Contenta-te com a escravatura que te permite pagar a renda. Como conseguem viver os que pensam assim?
Demos a democracia como ganha. Imaginámos que seria impossível regredir. Hoje vemo-nos num cenário no qual não temos democracia nem os nossos interlocutores mais jovens a valorizam, porque a não aprenderam. A escola não se preocupou eficazmente com a formação dos cidadãos. Introduziu-se a Formação Cívica do 5º ao 9º ano, a partir de 2000 ou 2001, área curricular sem programa, cujos temas de trabalho ficariam à escolha dos diretores de turma em conjunto com os alunos. Erro. Teríamos precisado de um programa. Quero que os alunos conheçam a Constituição da República, que a estudem. Continuo a desejar que se preocupem com a ecologia e a sexualidade e o consumismo, mas quero-os a aprender a diferença entre o que é legal e o que é legítimo, para que não se confundam. Têm de saber o que é o direito a resistir, e perceber que o trabalho não é a salvação pelo capital, em seu nome. O que significa o trabalho? Para que trabalhamos? O que é uma comunidade? Que poder tem a a sua união? E quero professores com formação específica para lecionar esta disciplina, não é o diretor de turma ou outro qualquer. E chamei-lhe disciplina, não área curricular, o que mudaria todo o cenário por implicar notas a sério.
Se não mudarmos rapidamente de direção no que respeita à formação cívica dos mais novos, preparemo-nos para um inferno ainda pior.
Resta saber o que fazer aos que não são mais velhos nem mais novos e para os quais já não há caminho possível. Uma boa parte deles, não sei se percebem, já nos governa.

Mensagem mediúnica recebida de noite

A noite passada recebi uma estranha mensagem de uma estátua egípcia. Perguntei-lhe, "onde estás?" Respondeu, "em Manchester". Retorqui, "porque incomodas os meus sonhos povoados de correções de exames nacionais?". Respondeu, "diz aos teus compatriotas que é chegado o tempo de reagir. Diz aos teus compatriotas que é chegado o tempo de esmagar os agentes do poder como se fossem escaravelhos do cocó e de implantar o Quinto Império. Diz-lhes que é a hora!" Entretanto atingiu os 180 graus de rotação e calou-se.

sábado, 22 de junho de 2013

Os meus pasolinianos



Estou na esplana do Café Colina cumprindo o ritual de sábado de manhã. Levanto-me tarde. É tarde. Bebo o garoto e leio "Um Rapaz a Arder", de Eduardo Pitta. À minha volta, os homens do costume, pouco mais novos do que eu, gastos pelo desemprego, aquecem minis na palma da mão. Gosto deles. Não sei o seus nomes. Chamo-lhes "o vizinho". Eles chamam-me "a menina" ou "a senhora", conforme. Sou a única pessoa que se atreve a ler um livro na esplanada do Colina. Desde que abriu, nos finais dos oitenta, nunca lá vi ninguém a ler mais que jornais desportivos ou o Correio da Manhã. Um homem macho a sério não vai ler para a esplanada, e no Colina não há abichanados. Ajudam a cozinheira a assar as sardinhas. Trocam piropos. Perguntam-me se quero ameijoa acabadinha de apanhar, sem iva. Pouso "Um Rapaz a Arder". Claro que quero. Pergunto, na brincadeira, se o preço inclui as toxinas. Respondem, sem sorrir, que aquilo é bivalve são, apanhado na melhor praia do distrito, e vão bebendo as bejecas, felizes, muito mais felizes que todos os homens sábios que conheço, leitores compulsivos de todos os filósofos importantes e teóricos da literatura e ciências sociais. Brutamontes cuja aparência escancarra a classe social a que pertencem, mas brutamontes civilizados, com a sua mesura. Volto os olhos para o livro e penso no Eduardo Pitta, sorrindo. Cadeiras de metal, meu amigo, nem flutes nem champanhe nem perdiz nem literatura nem política nem roupa de marca. Aqui, só pasolinianos de cepa. Todos. Comer, beber e fornicar enquanto se consegue. Levanto os olhos. Corro os olhos pela "machada" de novo. Um trouxe a mulher, louríssima, de cabelo até à cintura, minissaia, sapatos compensados, gasta de desemprego. Toma conta do seu homem, e é simpático, o senhor. Antigamente pintava os cabelos com a mesma tinta da mulher, mas agora desistiu. Tem um brinquinho, o que é um risco, no Colina.
Ironicamente, costumava dizer ao Joca que não se pusesse com cenas gay, no Colina, porque aquilo era só macho encartado, ao que ele me respondia "eu bem vejo como olham para mim", e sorria maliciosamente.
Olho de fora para a esplana e vejo-me no meio deles como um extraterrestre autorizado. Habituaram-se a ver-me. Sou a solteirona da cadelinha velha. A professora. Moderam a linguagem na minha presença. "Não vês que está ali uma senhora?" E pergunto-me porque insisto no desassossego do Colina, quando há tanto café decente por aqui, repleto de jovens de 30 anos, cheios de filhos, fervorosos adeptos do euro, bem vestidos, bem comportados, com medo que a Morena lamba as mãos às crianças e lhes passe doenças. Bem, é mesmo por eles que continuo a escolher os machos do Colina, e o fumo das sardinhas. Não me revejo na maior parte destas pessoas que nasceram depois do 25 de Abril. Não é um fosso geracional, mas de valores, ideológico. Há uma fratura entre nós. Chama-se dinheiro. Eu e os machos pasolinianos do Café Colina, apesar das nossas diferenças, possuímos um saber comum: somos e temos nada. Sabemo-lo de forma diferente, por via diferente, mas está cá. Somos nada e nada e o resto é nada. E, no entanto, há uma parte cega em mim, só sentido, que sabe que estes homens não me deixariam morrer. Não tenho tanta certeza relativamente ao jovens neo-liberais da classe média-baixa dos cafés limítrofes. Que pena não sentir atração sexual, para devorar o que nos pasolinianos do Colina ainda é puro, estritamente animal, incontrolável e perigoso. A vida é um canal tão largo e tão cheio. Não pensam nisso e não interessa. Vivem-na entre um biscate e uma cerveja. Fecho o livro do Pitta e vou para casa com as ameijoas e a Morena, viver, sem testemunhas, o lado dos meus dias que não autorizo a ninguém.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A greve: para os colegas que me leem às escondidas

Os amigos solicitam a minha presença nos jantares. Quando acaba a greve?, perguntam. Alguns colegas interpelam-me sobre o assunto "até onde é que isto vai", porque sentem e ouvem que a situação está a ficar insustentável para quem nunca se sentiu confortável na adesão. A minha mãe precisa de cuidados e questiona-me sobre se "o que estamos a fazer" ainda vai durar. Os alunos encontram-me na rua e perguntam-me pelas notas ou escrevem-me diretamente sobre o assunto. A minha vida está em suspenso: coisas a tratar nas finanças, carta para o senhorio, médicos, dentista, arrumações em casa, escrita, milhares de tarefas que surgem por obra do demo da inquietação. 
Não sei quando acaba a greve. No que depender de mim, embora exausta, não acaba enquanto não vir satisfeitas as reivindicações dos professores. Porque  não cede o ministério? Bem, porque no momento em que ceder ao que pedimos, terá de ceder em muitos outros flancos, a muitas outras classes. A vitória dos professores será um rombo para o governo. Por isso é que é importante não ceder, esquecer os tostões e manter a chama acesa. Precisamos do apoio da opinião pública: dos pais, dos alunos, dos amigos, de todos os que estão de fora. É muito difícil manter a resistência ao longo de tantos dias, sobretudo sentindo que os outros pensam para si "estás a lutar para nada" ou "isso é apenas uma luta vossa, estou só aqui a ver". Indigna-me senti-lo. Não estou a lutar para mim. Sou dos que menos sofrerá com isto. Não tenho filhos nem casa própria, portanto não tenho cadilhos. Tenho uma mãe ainda viva (minha única "prisão"), e de resto sempre fui muito móvel e vivo com pouco. Passo a vida a dizer que durante 10 anos da minha vida tive todos os meus bens numa mala debaixo das camas por onde dormia. Luto porque esta é uma causa de todos, de máxima justiça laboral. A minha luta fará a diferença, no futuro, para os vossos filhos. Não sou uma pessoa materialista, não me interessa qualquer tipo de riqueza que não seja a da justiça e a da paz. Por isso preciso do apoio de todos. Precisamos do apoio da nossa família, dos nossos amigos, vizinhos, colegas. Preciso que quem gosta de mim, que quem acredita em mim transmita esta mensagem. Por favor, não digam "eles estão lá na luta deles". Nós estamos numa luta enorme, com consequências vastíssimas.
O salário que me será descontado vai fazer muita diferença, mas vendo os anéis para continuar a assegurar o básico. Uma coisa é certa, e esta mensagem vai sobretudo para os meus colegas hesitantes, que me leem às escondidas e me olham fugazmente na escola: não podemos desistir de uma luta com estas dimensões porque nos vão faltar 100 ou 200 euros no final do mês. As consequências de uma desistência são muito graves. É preciso continuar indefinidamente com a greve às avaliações. Não pode haver notas para o 12º enquanto não houver recuo do ministério. Não interessa se as férias terão de ser adiadas, embora estejamos todos trancendentemente cansados. Não se está numa batalha com o rabo de fora. Acreditem no que estamos a fazer. Não desistam porque a batalha vai longa. Já travei batalhas mais longas e difíceis e sinto orgulho por ter resistido e vencido. Tenho a convicção de que vencemos sempre as batalhas em que acreditamos. Se estamos juntos, que motivo há para ter medo? Não aprendemos todos na escola primária essa útil mensagem dos livros do Estado Novo: que a união faz a força?!

(Para os meus amigos que não são professores nem funcionários públicos: esta luta também é, indiretamente, em vosso benefício e dos que convosco estão relacionados (ascendentes e descendentes), por isso não me perguntem quando acaba, como se fosse um empecilho. Eu não estou desaparecida, mas empenhada, e preciso de descansar para conseguir continuar. Embora esteja de greve às avaliações, continuo a trabalhar todos os dias ao ritmo normal de quem faz vigilâncias de 3 horas, corrige exames, acaba um ano e prepara outro. E tenho 50 anos. Os 30 ficaram nos anos 90.)

Agradeço ao Paulo de Sousa toda a força que me tem dado desde o início. O seu apoio moral tem sido fundamental.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Que vergonha tenho de vós, colegas!

Que exemplo pode dar aos seus alunos um professor que se cala, que se agacha e obedece tremendo? Que valor transmite aos seus educandos um professor que trai uma greve realizada em defesa da sua própria sobrevivência, da dos colegas, e do direito dos alunos à boa educação pública, que lhe cabe defender como um pai defende um filho do mal, mesmo contra sua vontade? Como poderá ele educar outros para a cidadania, competência transversal a todas as disciplinas? Que moral lhe resta para exortar os seus alunos à perseverança por um ideal justo, à construção de uma sociedade desenvolvida ao nível dos valores humanos? Nomeará Ghandi ou Mandela como ficções? Que cidadãos são estes professores? E que pais serão?
Que vergonha tenho de quem espera que rolem cabeças alheias, para que a sua se mantenha intacta, mas beneficiada pelos que se sacrificaram no ritual da ação!
Eu não espero nada dos nossos patrões, mas de vós, colegas, por cujos direitos eu me hei-de arranhar até à carne, para que deles beneficiem sem ter descontado um duodécimo, mesmo que se tenham agachado, mesmo que tenham sido vis e traidores, que vergonha tenho de vós! Como conseguem, ao final do dia, olhar os vossos filhos nos olhos? Que terrível legado de cobardia e humilhação lhes deixam!