sábado, 27 de junho de 2015

O traje dos sábios

No centro comercial mais perto da minha casa abriu uma loja de trajes académicos, onde antes existia uma sapataria. Os sapatos não davam lucro. Os trajes académicos estão em alta.
Nunca tive traje académico nem pasta de finalista nem fui à bênção das fitas, porque também não as comprei, e o que pensava aos 20 anos sobre o assunto mantém-se fresco: o hábito não faz o homem nem a mulher. O hábito identifica, classifica, integra e muitas vezes mascara. Não preciso.

Foto de @Vítor Cid

Aos jovens que se preparam para comprar trajes académicos, e aos meus ex-alunos que os usam, tenho a lembrar que os verdadeiros sábios não precisam de sinais exteriores que os destaquem da multidão. Não precisam de o mostrar nem de se afirmar. Eles são. Ser alguma coisa é um estado íntimo que não pode ser retirado. A aparência que confere um traje académico ou outro qualquer pode mudar, mas ser-se sábio, válido, preciosamente capacitado para isto ou aquilo é um estado que não muda nem grita. Os que são realmente sábios estão vestidos para sempre com um manto que nem os seus próprios olhos conhecem, e passam em silêncio para que a multidão não repare que passou alguém. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Caderno em inglês de luxo

O Caderno de Memórias Coloniais encontra-se, a partir de agora, traduzido para língua inglesa, em open acess, através do site laabst*, [*luso-asio-afro-brazilian studies & theory]




A tradução, que considero de luxo, resulta do trabalho conjunto dos Professores Anna M. Klobucka, da University of Massachusetts Dartmouth e Philiph Rothwell, da University of Oxford. A tradução inclui excelente prefácio, pelos mesmos, e é oficialmente lançada no próximo sábado, dia 13, na Universidade de Oxford, conforme informação constante deste cartaz: