Há uns anos morei numa rua de província cujos moradores, por estranho que pareça, não gostavam de árvores, como outros não suportam cães ou vizinhos imigrantes.
A câmara plantava-as em fileira, ao longo do passeio, e na semanas seguintes alguém as arrancava pela raiz, as serrava rente, ou as envenenava com tóxico que nunca se chegou a apurar. É possível matar uma árvore.
Mas os delinquentes menos afoites, apenas lhes quebravam os ramos baixos.
Aceitando a poda, um novo rebento nascia mais acima, mais ao lado, e a árvore regenerava-se naturalmente. O ramo seria outro, mas continuaria teimoso, verdecendo, produzindo outros ramos.
O passado não se pode esquecer porque um ramo partido não destrói uma árvore. Muda-a.