A ficção

   Karen Blixen, 1962, por Cecil Beaton

Estou a contar-te esta história, mas, por favor, não vás agora por-te a escrever, seja o que for, sobre o que te revelo.
Não. Nem penses. Nada. Está descansada. Sou um túmulo.
Sim, por favor. Vê lá. É que me deixavas em muitos maus lençóis.
Não te preocupes. Onde é que dizes isso aconteceu?
Em Faro, quando lá vivíamos, na década de 90.
Como é que ele se chamava?
João.
Trabalhava numa loja?
Vendia carros.
E se eu escrevesse essa história situando-a nos anos 80, chamando-lhe José, pondo-o a viver em Braga e a trabalhar como segurança num bar de alterne? Achas que te prejudicava muito?

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